Tempo de sardinha!

Agora que a época da sardinha inaugurou, aqui deixamos mais algumas boas razões para a tornar indispensável à mesa do Verão! Para o bem de todos nós!

Rica em ómega 3
Os ácidos gordos da série ómega 3, são ácidos gordos polinsaturados essenciais ao organismo, ou seja, temos que os obter exclusivamente a partir da nossa alimentação uma vez que não os conseguimos produzir.

A deficiência em ómega 3 aumenta o risco da ocorrência de: doenças cardíacas, alterações neurológicas, declínio cognitivo, dificuldades de aprendizagem, diminuição da acuidade visual, entre outros.

No que diz respeito aos benefícios para o coração, de um modo geral, um consumo adequado destes ácidos gordos associam-se ao melhor funcionamento do sistema circulatório e a um menor risco cardiovascular porque:

  • Diminuem o risco de surgimento de arritmias e de tromboses;
  • Atrasam o processo de formação de placas de aterosclerose
  • Reduzem os níveis de triglicéridos;
  • Baixam ligeiramente a Tensão arterial;
  • Reduzem a resposta inflamatória.

Fonte de outros minerais e vitaminas:
As sardinhas são uma importante fonte de outros minerais e vitaminas. Por cada 100g fornecem quantidades elevadas de vit. D (68% da Dose Diária Recomendada), vit. B12 (149% da Dose Diária Recomendada) e ainda Ferro, Magnésio, Fósforo, Potássio, Selénio…em quantidades apreciáveis.

Por fim, dizer que a sardinha, não sendo uma espécie predadora e apresentando baixo peso, tem um baixo risco de contaminação de metais pesados como o mercúrio ou o cádmio, prejudiciais para a nossa saúde.

(Fonte Direção Geral de Saúde)

Características da espécie:
A SARDINHA tem um corpo alongado coberto de escamas, com uma cor azul-prateada mais escura no dorso do que nos flancos e ventre onde apresenta uma cor mais clara e prateada. É encontrada no Atlântico Nordeste e Mar Mediterrâneo, onde habita na coluna de água em zonas costeiras de 25 a 100 m de profundidade. Efectua migrações em grandes cardumes que durante o dia se protegem dos predadores em águas mais profundas e à noite sobem para águas mais superficiais para se alimentarem de algas e pequenos crustáceos. Reproduz-se de Outubro a Abril, altura em que é mais magra, e a fêmea pode desovar 50.000 a 60.000 óvulos.

(in As espécies mais populares do Mar de Portugal, edição Ciência Viva)

Características da pesca:
A frota Portuguesa usa o cerco tipo americano, caracterizado por possuir argolas e retenida, em que os panos da rede têm idêntica malhagem e a tralha dos chumbos é maior que a tralha de flutuação (…) De uma forma mais detalhada, podemos descrever a arte de cerco (…) como uma rede de forma rectangular com comprimento a variar entre 500 e 1000 m e a altura entre 90 e 150 m, dependendo do comprimento da embarcação (…) sustentada à superfície por um sistema de flutuação (tralha de flutuação, vulgarmente denominada como cortiça) e mantida na vertical durante o cerco por um conjunto de pesos (tralha de chumbos).

Montado no cabo dos chumbos existe um conjunto de argolas por onde passa o cabo da retenida, que permite fechar a rede por baixo por forma a aprisionar os cardumes, formando um saco quando a rede está fechada.

A pesca por cerco é efectuada, quase na sua maioria, por embarcações que operam com redes com uma malhagem de 18 mm – traineiras, sendo usada malhagem mínima de 16 mm pelas embarcações mais pequenas (tucas ou rapas).

A pesca ocorre geralmente próximo (a menos de 10 milhas náuticas) aos portos de origem, em curtas viagens (diárias). A rede é largada em média uma ou duas vezes, normalmente de madrugada mais a Norte e a qualquer hora do dia, a Sul de Peniche.

Uma grande parte de uma viagem de pesca do cerco é despendida na pesquisa dos cardumes com equipamentos de apoio (sondas e sonares).

(Fonte Caracterização da pesca do Cerco na Costa Portuguesa, tese de mestrado Diana Oliveira Feijó, Faculdade Ciências da UPorto/IPMA, 2013)

Importa ainda registar que é uma pesca com efeitos mínimos nos ecossistemas, já que “o impacto desta pesca nos habitats do fundo do mar é considerado baixo e como as sardinhas formam grandes cardumes, as taxas de captura acessória também são relativamente baixas”, de acordo com a WWF – World Wide Fund for Nature.

Traineiras partem do Porto de Peniche, junho de 2020. Fotografia de Miguel Lourenço

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