A primeira Assembleia Geral da Mútua do ano de 2026, no dia 29 de março em Lisboa, contou com a participação de mais de uma centena de cooperadores, que votaram favoravelmente, por unanimidade, a proposta de Relatório de Gestão e Contas, o parecer do Conselho Fiscal e respetivas conclusões, referentes ao exercício de 2025; bem como a proposta para aumento do capital social da Cooperativa, para 10 milhões de euros.
Para além das propostas em destaque, foram aprovados por unanimidade todos os documentos apresentados, de acordo com a ordem de trabalhos constante na convocatória.
A apresentação dos resultados financeiros pela Diretora Financeira e de Resseguro, Sandra Louro, revelam que, não obstante o contexto adverso a nível internacional, e as dificuldades no plano nacional, o ano de 2025 foi para a Mútua um ano equilibrado, marcado pelo aumento do volume dos prémios em 6,4 %, e a redução do custo com sinistros em 11,5%, encerrando-se o ano com 1.650.446,00 Euros em resultados positivos após impostos. Destaca-se o contributo da valorização da Mediadora Ponto Seguro-Mediação de Seguros, S.A, em 384.832,00 Euros, para estes Resultados, evidenciando a solidez desta parceria.
O aumento do capital social revela por seu lado a robustez financeira da cooperativa, e a sua capacidade para fazer face às dificuldades do futuro.
O novo Diretor Geral, Carlos Rabaçal, destacou a solidez destes resultados e alguns aspetos da atividade da Cooperativa, relativamente às preocupações com a segurança marítima, com especial enfâse para os trabalhadores estrangeiros e a necessidade de medidas especiais, nomeadamente no que respeita à sua formação, e no plano mais interno destaca-se a preocupação com o reforço da cooperativa, assinalando aqui a elaboração em curso de um plano para dinamizar a adesão de mais cooperadores.
Os resultados da cooperativa mereceram por parte do Presidente do Conselho de Administração uma palavra de reconhecimento a toda a equipa técnica de dirigentes e trabalhadores. Destacando ainda no plano interno a importância da formação como fator de valorização dos trabalhadores, no quadro da renovação geracional em curso com a passagem à reforma de alguns trabalhadores; no plano institucional, continuar e reforçar a defesa do interesse dos pescadores e comunidades, assinalando uma vez mais as preocupações da Mútua com as tendências de quebra do setor, que se desenham desde há 40 anos, com a perda de profissionais (assinalando a perda de 27 000 profissionais desde 1986) e embarcações, ou pela desvalorização do pescado em lota.
O Presidente assinalou também o pesar pela perda de vidas humanas no final do ano, em consequência dos naufrágios com o “Vila Caminha” e “Carlos Cunha”.
A Assembleia contou com algumas intervenções de cooperadores, que manifestaram a sua preocupação relativamente às dificuldades sentidas no setor da pesca, com a certeza de que encontram na Mútua, desde sempre, o apoio para fazer ouvir a sua voz, tal como foi dito “Temos de louvar o trabalho da Mútua. Está sempre lá” (Anabela Valente), ou nas palavras de Álvaro Paquete, “A Mútua está sempre em cima dos acontecimentos!”.
O tema das alterações climáticas e do impacto nos territórios, como as tempestades recentes que assolaram o País, foi aflorado pelo cooperador José Mesquita, que manifestou preocupação com o que chamou de “novo normal”, e para o qual as seguradoras de um modo geral se devem preparar, e a Mútua em particular, por causa dos impactos negativos nos oceanos.
Houve ainda lugar para partilha das preocupações sobre a desvalorização do pescado em lota, como em Olhão, onde o cooperador João Carlos afirmou que persiste uma grande discrepância entre o baixo valor de venda do pescado em lota, em prejuízo dos pescadores, e o custo elevado do pescado no consumidor final. Em Viana já é possível porém, o consumidor comprar diretamente na lota, e noutros contextos, como em França, os pescadores conseguem vender o seu pescado diretamente aos consumidores, sem passar pelos intermediários, um mecanismo que valoriza o pescado e os pescadores.
No final, por proposta do Diretor de Contabilidade, António Monteiro, foi feito um minuto de silêncio pelos pescadores vítimas de naufrágios.
A Mútua sai assim reforçada enquanto cooperativa, enquanto organização que mantém a sua matriz, com sentimento de pertença e de entrega de todos.
“A Mútua dos Pescadores manteve o crescimento do seu volume de prémios, encerrando 2025 com uma produção de Prémios Brutos Emitidos de 13.322.561 euros, o que representou um crescimento de 6,4% em relação a 2024.
Na atividade corrente, destacam-se aumentos nos prémios em todos os ramos, com exceção em Incêndio que permaneceu inalterado.
Em 2025, o valor total dos custos com sinistros ascendeu a 7.345.167 euros, marcando um diminuição de 11,5% em relação a 2024, impulsionado principalmente pela redução em Marítimo de 42,61%.
As Despesas Gerais aumentaram 4,2% em relação a 2024, com destaque para o crescimento das despesas com órgãos sociais (+54,2%) e para as remunerações de mediação que aumentaram 10,5%. De salientar que este crescimento das despesas gerais se encontra perfeitamente suportadas com o crescimento dos réditos de contratos de seguro os quais atingiram 6,1%.
Na vertente financeira, a carteira de Investimentos alcançou os 49.212.220 euros no final de 2025, mantendo-se em linha com a “Política de Investimentos”, a qual prioriza a diversificação e critérios de prudência na seleção dos ativos.
O resultado do exercício antes de Impostos foi positivo em 1.912.098 euros, e, após impostos, atingiu 1.650.446 euros, sendo a diferença explicada por impostos correntes de 310.400 euros e impostos diferidos de 48.747 euros.
A valorização da Ponto Seguro-Mediação de Seguros, S.A. contribuiu com 384.832 euros para o resultado da Mútua dos Pescadores.”
(Relatório de Gestão e Contas de 2025, pág.9)
O “Relatório de gestão e contas de 2025” pode ser acedido no separador Quem somos/Informação institucional


































