Estudo CASES – 100 Maiores Cooperativas 2024
No âmbito da prossecução das suas atribuições, a CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social divulgou recentemente a edição de 2024 do estudo «As 100 Maiores Cooperativas», uma publicação anual que acompanha a evolução económica das maiores Cooperativas e constitui uma referência para o conhecimento da sua dimensão e impacto.
À semelhança das edições anteriores – os últimos dados apresentados são referentes a 2023 – este relatório organiza as 100 maiores Cooperativas Portuguesas segundo o Volume de Negócios, bem como as 20 maiores Cooperativas de Crédito, neste caso com base no Total do Ativo Líquido.
São ainda identificadas as cinco maiores cooperativas em cada ramo de atividade.
Para além da classificação principal, são incluídos indicadores económicos, financeiros e de emprego, permitindo acompanhar a evolução das cooperativas face ao ano anterior (2023)2, e contextualizar o seu desempenho no quadro mais amplo da economia portuguesa. A publicação continua a integrar também indicadores relacionados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com particular destaque para o ODS 5 – Igualdade de Género e o ODS 8 – Trabalho Digno e Crescimento Económico.
Nesta edição, é ainda incluída, pela primeira vez, informação sobre o número de membros das 100 maiores Cooperativas e das 20 maiores Cooperativas de Crédito.
Até ao final do presente ano de 2026, será também apresentada a quinta edição da Conta Satélite da Economia Social.
A Mútua dos Pescadores mantém o seu 1.º lugar nas 5 maiores do ramo serviços e no global ocupa o 68.º lugar com 12.439.485,99 € de volume de negócios (dados apresentados em 2024).
Destaques:
- Face ao ano anterior, destaca-se a entrada pela primeira vez do Ramo da Solidariedade Social. Permanecem ausentes os Ramos do Artesanato, Consumidores, Cultura, Habitação e Construção e Produção Operária.
- Trata-se da CERCITOP,CRL constituída em 1999, uma cooperativa multissectorial de responsabilidade limitada, que optou pelo ramo da Solidariedade Social do sector cooperativo como elemento de referência, e desenvolve atividade na área da prestação de cuidados e apoio a qualquer pessoa com dependência ou incapacidade, em várias regiões do País.
- A esmagadora maioria das Cooperativas listadas no
Distribuição geográfica e ramos
- A distribuição geográfica das 100 maiores Cooperativas mantém-se maioritariamente concentrada nas zonas litorais de Portugal Continental, com especial incidência nos distritos de Lisboa e Porto, que em conjunto representam mais de 30% do total.
- As cooperativas do Ramo Agrícola continuam a dominar a composição da lista, estando representadas em quase todos os distritos
- Importa igualmente salientar que 21 das cooperativas incluídas no Top 100 têm sede em territórios do Interior, das quais 20 pertencem ao Ramo Agrícola e uma ao Ramo Comercialização.
Volume de negócios (critério principal do ranking)
- Em 2024, o Volume de Negócios global das 100 maiores Cooperativas manteve-se em cerca de 3,55 mil milhões de euros.
- Das cem cooperativas analisadas, 46 registaram um aumento médio de 20,5% no Volume de Negócios, enquanto as restantes registaram uma quebra média de 9% — economia nacional global cresceu 3,8 %
- Ramo agrícola concentra 62,3 % do volume de negócios das 100 cooperativas
Trabalhadores
- Redução do número de de trabalhadores – Em 2024, as 100 maiores Cooperativas asseguraram um total de 8 482 postos de trabalho, o que representa uma redução de 1,3% face a 2023, comprovando uma tendência de decréscimo que se observa deste o ranking de 2022. A média de trabalhadores no total de cooperativas que reportaram informação é de 88,4. Emprego nacional global cresceu 2,7 %.
- Ramo agrícola com mais peso global no número de trabalhadores, mas cooperativas de ensino, individualmente, são as que têm mais trabalhadores.
- A maior parte das cooperativas listas são classificadas, quanto à dimensão, como pequenas empresas (com menos de 50 trabalhadores).
Situação financeira, robustez
- Resultados líquidos – 88,83 milhões – 53 cooperativas aumentaram o seu resultado, sendo que o ramo agrícola assegurou mais de metade dos totais.
- Os relatórios e contas destas 100 cooperativas evidenciam uma situação financeira globalmente sólida. Embora se observe um ligeiro agravamento dos níveis de liquidez face a 2023, a maioria das cooperativas continua a apresentar indicadores positivos de solvabilidade e autonomia financeira, assim como baixas taxas de endividamento.
Contributos para os ODS – relatório destaca o ODS 5 – Igualdade de género, e o ODS 8 – Crescimento económico inclusivo e sustentável.
- 49% dos trabalhadores são mulheres, registando-se, em média, uma taxa de emprego feminino de 43,5% – variação de acordo com ramo (por ex. serviços, sol social, ensino + mulheres, pescas e crédito, com menos mulheres). Na economia portuguesa em 2024 – 49,2% mulheres trabalhadoras.
- Mulheres nos cargos de chefia – 10,4% dos membros dos Órgãos de Administração das 100 maiores Cooperativas são mulheres, um pequeno decréscimo, em pontos percentuais, em relação a 2023 (-0,6 p.p.).
- Relativamente à meta de reduzir a proporção de jovens sem emprego, educação ou formação, observa-se que 4,2% dos postos de trabalho nas cooperativas analisadas são ocupados por pessoas entre os 16 e os 24 anos (ref ONU). Este valor representa um ligeiro decréscimo face a 2023 (-0,1 p.p.), e continua abaixo da média nacional que registava em 2024 o valor de 5,8%12. Adicionalmente, verifica-se que pouco mais de um quarto das cooperativas com informação disponível não empregam jovens com menos de 24 anos – Exceção são as cooperativas de pesca com 11,3 % de trabalhadores mais jovens.
- Noutro referencial, até aos 34 anos, em 2024, cerca de 21,6% dos trabalhadores das 100 maiores Cooperativas tinham menos de 35 anos.
Tal como em 2023, os trabalhadores da faixa etária dos 25-34 anos continuam a representar mais de quatro vezes o número de trabalhadores da faixa etária anterior. 17,8% nas cooperativas face a 19,5% na economia em geral.
Estabilidade laboral -contrato de trabalho
- 78,3% dos trabalhadores das 100 maiores Cooperativas têm contrato sem termo. Embora este valor continue abaixo da média nacional de 2024 (84,1%) representa uma melhoria face ao relatório anterior, com um aumento de 2,7 pontos percentuais.
- Não obstante analisadas individualmente, quase metade das Cooperativas analisadas e com informação apresentam uma taxa de contratos sem termo superior a 90% – cooperativas de comercialização e pescas com maior percentagem destes contratos.
Para além das dimensões analisadas – como o trabalho digno e a promoção da igualdade no mercado de trabalho –, muitas cooperativas desenvolvem iniciativas relevantes noutras áreas, como a inclusão social, a coesão territorial, a educação ou a sustentabilidade ambiental, que não foram objeto de análise neste estudo.”

