Arrábida é Reserva da Biosfera

Uma das 26 novas Reservas mundiais reconhecidas pela UNESCO

A Mútua destaca este reconhecimento que é fruto do trabalho entre várias entidades que intervêm na Península de Setúbal, em prol da valorização e desenvolvimento sustentável do território, colocando em harmonia a conservação da natureza e as atividades económicas.

Considerada uma “jóia costeira” pela UNESCO, a Arrábida junta-se assim às restantes 12 Reservas da Biosfera da UNESCO em Portugal, que incluem 7 territórios costeiros, como as Berlengas ou as ilhas açoreanas do Corvo, Flores, Graciosa, ou as Fajãs de São Jorge. No arquipélago da Madeira, são reservas da biosfera, a localidade de Santana (na Ilha da Madeira) e a ilha de Porto Santo.

De acordo com notícia do Jornal Público, de 27 de setembro, dando conta desta distinção, (ver em baixo) a Arrábida “alberga mais de 1400 espécies de plantas – representando 40% da flora de Portugal –, incluindo 70 espécies raras e endémicas”, bem como uma fauna diversificada, com 200 espécies de vertebrados e mais de 2000 espécies marinhas, incluindo golfinhos-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), robalos (Dicentrarchus labrax) e salmonetes (Mullus barbatus) ou algumas espécies de animais como o “gorgulho-esmeralda-rosado e o caracol Candidula setubalensis”, que aí vivem unicamente.
Acolhe também um parque marinho com 52 quilómetros quadrados, rodeado por “formações geológicas exuberantes, e um património histórico e cultural que inclui dois castelos, um em Palmela e outro em Sesimbra, e um convento homónimo”.
A Arrábida distingue-se ainda pelas suas atividades económicas, “na produção de queijos, vinhos e mel, bem como nas artes de pesca, pecuária e agricultura”.

A preparação da candidatura da Arrábida a Reserva da Biosfera remonta a 2014, tal como destaca o Jornal O Setubalense, na sua edição de 29 de setembro, logo depois de o Estado Português ter decidido desistir de uma candidatura deste território a Património Mundial da Humanidade, por não se reunirem as condições de acordo com organizações consultivas da UNESCO. A partir daí desenhou-se uma nova estratégia no quadro das Reservas da Biosfera, e encetou-se, em 2016 um protocolo entre a AMRS – Associação de Municípios da Região de Setúbal, o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e os municípios de Palmela, Sesimbra e Setúbal, para a constituição da Comissão Executiva da Arrábida, que promoveu então a Candidatura da Arrábida a Reserva da Biosfera, em estreita articulação com a Comissão Nacional da UNESCO e o Comité Nacional do Programa «Man and the Biosphere» (Comité Nacional MaB). A candidatura seguiu os trâmites normais, tendo sido apresentada pelo Estado Português em Setembro de 2024 ao Secretariado do Programa MaB (Man and the Biosphere ) da UNESCO em Paris.

Esta distinção implica vários compromissos, de acordo com declarações de Sofia Martins, secretária geral da AMRS, ao O Setubalense, assumidos para a próxima década.
Sofia Martins destaca que todos os “agentes económicos, culturais e sociais do território” serão chamados a participar para levar a bom porto este projeto.

A Mútua orgulha-se de estar entre as entidades que apoiaram a candidatura, assumindo o compromisso e “reconhecendo a necessidade do envolvimento dos atores locais na implementação de uma gestão participativa por forma a responder às três funções fundamentais (Conservação, Desenvolvimento Sustentável e Plataforma de investigação, monitorização, educação e sensibilização ambiental) de uma Reserva da Biosfera”, tal como constante na Declaração de Apoio à Candidatura.

O anúncio pela UNESCO da distinção da Arrábida como Reserva da Biosfera foi feito no sábado, 27 de setembro, pelo Conselho Coordenador Internacional do programa Man and the Biosphere, durante o 37.º Encontro deste organismo, que juntou mais de uma centena de países em Hangzhou, China, como se destaca na notícia de O Setubalense, e após o Congresso Mundial das Reservas da Biosfera, que teve lugar naquela cidade chinesa, entre 22 e 26 de setembro de 2025. Com a Arrábida foram anunciadas outras 25 Reservas de mais 20 países. “Entre elas estão, por exemplo, as novas Reservas da Biosfera da Ilha de Bioko (Guiné Equatorial), da Ilha de São Tomé (São Tomé e Príncipe) e da Quiçama (Angola)”, de acordo com a mesma notícia no Jornal Público.

Reservas da Biosfera da UNESCO

As reservas da biosfera são definidas pela UNESCO como “laboratórios vivos, onde se desenvolvem como funções principais, a conservação de paisagens, ecossistemas e espécies, o desenvolvimento sustentável a nível social, económico, cultural e ecológico; atuam como plataformas de investigação, monitorização, educação e sensibilização, visando sempre a partilha de informação e de experiência adquirida”, tal como se pode ler na página oficial da Unesco/Portugal na Internet (ver em baixo).
De acordo com Audrey Azoulay, directora-geral da UNESCO, citada na notícia do Público, o Programa sobre a Humanidade e a Biosfera criado em 1971, tem atualmente mais de 750 Reservas da Biosfera em 136 países.
Quer ao nível macro, com a criação da Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO, quer a um nível mais nacional, com a criação de redes nacionais, a perspetiva deste organismo da Organização das Nações Unidas é a valorização da partilha de experiências, boas práticas e saberes, adquiridos na gestão das reservas da biosfera e que visam o aprofundamento e divulgação do conhecimento científico; desenvolvimento da educação e da cultura, fomentar práticas de turismo responsável, ou em síntese, o desenvolvimento sustentável das economias locais, em todas essas dimensões.
Portugal constituiu também a sua Rede Portuguesa de Reservas da Biosfera, sob a égide da Comissão Nacional da UNESCO (CNU), em 2011, que conta com o apoio técnico de universidades portuguesas convidadas e de entidades relacionadas com estas matérias, que a Rede Portuguesa considere relevantes para a prossecução dos seus objectivos, tal como se pode ler na página oficial da Unesco/Portugal na Internet (ver em baixo).

“Integradas numa rede global que atravessa fronteiras e culturas, as Reservas da Biosfera mostram que é possível restaurar ecossistemas degradados, promover economias sustentáveis e fortalecer comunidades que assumem a salvaguarda da biodiversidade”, afirma a investigadora Helena Freitas, coordenadora do Centro de Ecologia Funcional e da Cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável, citada num comunicado da Universidade de Coimbra. (citação no Jornal Público)

Fontes:
Jornal Público on-line, 27 de setembro, acedido a 1/10/2025
Página oficial da Unesco/Portugal, acedida a 1/10/2025
Jornal O Setubalense, edição 1610, de 29 de setembro de 2025

Foto de Francisco Barrento, em Unsplash
Foto de Francisco Barrento, em Unsplash