Pescadores da pesca do cerco exigem aumento da quota para 30 mil toneladas em 2020, no seu 4.º Encontro Ibérico, em Matosinhos

Como temos vindo a noticiar as organizações do cerco de Portugal e Espanha continuam a encetar um caminho comum com vista a encontrar soluções para o desenvolvimento da pesca do cerco, invertendo o declínio do setor, com as graves consequências sociais e económicas que as restrições à pesca, no quadro das políticas europeias, têm tido para as comunidades piscatórias.

“O setor não está mais disposto a ser tratado como foi tratado nos últimos três anos. Não está disposto a reduzir mais as capturas. Queremos possibilidades de pesca de acordo com a abundância do recurso. Merecemos isso porque é uma forma de compensar os sacrifícios e esforços que os pescadores e armadores tiveram nos últimos anos, esforços e sacrifícios que estão a ter repercussões positivas no crescimento do recurso”, disse Humberto Jorge da Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco (ANOPCERCO), citado pelo Jornal de Notícias on-line (a 21/11/2019).

A abundância de sardinha no mar é uma evidência apontada pelos profissionais e esta perspetiva é partilhada pelas associações espanholas. Andrés Garcia, da Associação de Armadores de Cerco da Galiza (ACERGA), refere que “esta é uma perspetiva que ultrapassa totalmente os cálculos do ICES (Conselho Internacional para a Exploração do Mar) e dos conselhos científicos” (de acordo com mesma fonte noticiosa).

Os pescadores reunidos produziram um documento que será enviado aos governos de Portugal e de Espanha, no qual os armadores e pescadores exigem poder pescar no próximo ano 30 mil toneladas de sardinha.

“O setor ibérico da produção declara a sua enorme satisfação pelos progressos e avanços muito positivos obtidos nos últimos anos, e entende que as possibilidades de pesca a fixar para o próximo ano devem estar ajustadas a essas muito significativas melhorias. Por esse motivo o setor ibérico da produção de sardinha exige aos governos de Portugal e de Espanha uma defesa firme do futuro da pesca da sardinha na Península Ibérica capaz de dar confiança a todos os nossos profissionais.

Por este motivo as organizações signatárias entendem que as possibilidades mínimas de pesca de sardinha para garantir a sobrevivência do setor da pesca não podem ser inferiores a 30.000 toneladas para o ano de 2020.

Finalmente foi concluído a necessidade de realizar, com urgência, um encontro conjunto dos governos de Portugal e de Espanha com os setores da produção dos dois países, por forma a consolidar as perspetivas muito positivas de recuperação do stock da sardinha ibérica e assegurar a sua permanente sustentabilidade.”

(Excerto das Conclusões do Encontro)

Documentos apresentados na reunião:

Fonte imagem: JN on-line, 21/11/2019

Fonte imagem: JN on-line, 21/11/2019

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