Parada desde dezembro de 2025, período de paragem biológica anual, é sempre muito ansiado o regresso da safra da sardinha, e os primeiros barcos já começaram a chegar a quase todos os Portos nacionais!
De acordo com o modelo de gestão adoptado entre Portugal e Espanha, todos os anos o início da safra da sardinha é assinalado com a publicação oficial de um despacho anunciando os limites das capturas, os períodos nos quais não é possível capturar, descarregar ou colocar à venda sardinha para além dos limites apontados. De acordo com os últimos dados do INE (2024), são 292 as embarcações registadas para a pesca de cerco (o que corresponde a 8,1% do total, de 3 614 embarcações licenciadas), responsáveis pela maior parte das capturas da sardinha e outros pelágicos.
O despacho n.º 5288/2026, do DR, que assinala a reabertura da Safra, determina assim:
- A pesca da sardinha (Sardina pilchardus) é reaberta a partir das 00:00 horas do dia 4 de maio de 2026.
- O limite de descargas de sardinha capturada com arte do cerco é de 33 446 toneladas.
- Volume total que deve ser repartido entre o grupo de embarcações cujos armadores ou proprietários são membros de organizações de produtores (OP) reconhecidas para a sardinha e o grupo de embarcações cujos armadores ou proprietários não são membros de OP reconhecidas para a sardinha, correspondendo a cada um dos grupos, respetivamente, 32 944 t e 502 t
- Limites de captura a partir das 00:00 horas de 04 de maio:
- Embarcações com comprimento de fora a fora inferior ou igual a nove metros – limite de 2 250 quilogramas (kg) (100 cabazes).
- Embarcações com comprimento superior a nove metros e inferior ou igual a 16 metros o máximo é de 3 938 kg (175 cabazes)
- Embarcações com comprimento superior a 16 metros limite é de 5 625 quilos (250 cabazes).
- Limites de captura a partir das 00:00 horas de 01 de junho:
- Embarcações com comprimento de fora a fora inferior ou igual a 9 metros têm um limite de 2 700 kg (120 cabazes).
- Embarcações entre 9 e 16 metros, o máximo é de 4 725 kg (210 cabazes)
- Embarcações com comprimento superior a 16 metros limite é de 6 750 kg (300 cabazes).
- Em dias de feriado nacional é interdita a captura, manutenção a bordo, descarga e venda de sardinha.
- É proibida a transferência de sardinha para uma lota diferente da correspondente ao porto de descarga, bem como uma mesma embarcação descarregar em mais de um porto durante cada dia.
O despacho prevê também algumas situações de exceção, de acordo com vários fatores, como o mau tempo.
No despacho é ainda enquadrado o plano plurianual para o período de 2021 a 2026 de gestão conjunta entre Portugal e Espanha, que “para além de integrar uma regra de exploração para a fixação do nível anual das capturas, inclui medidas complementares direcionadas para a proteção dos juvenis e para o reforço das campanhas científicas de avaliação do estado do recurso.”
O plano é validado pelo Conselho Internacional para a Exploração do Mar (CIEM), em conformidade com os “princípios da Política Comum das Pescas”, e de acordo com o princípio da boa governança.
Portugal criou também uma Comissão de acompanhamento para a gestão desta pescaria que envolve Associações do setor e instituições governamentais.
Conhecer na íntegra aqui: https://files.diariodarepublica.pt/2s/2026/04/078000000/0019300198.pdf
“Como quase perdemos a sardinha portuguesa”
O início da safra é assinalado com a produção de um documentário “Como quase perdemos a sardinha portuguesa” que retrata o percurso turbulento de recuperação da sardinha ibérica, como uma pesca sustentável. Uma iniciativa do Marine Stewardship Council (MSC), o organismo internacional responsável pelo estabelecimento de normas reconhecidas a nível global para a pesca sustentável e para a cadeia de abastecimento de produtos do mar.
Sustenta este organismo que modelo de gestão conjunto entre Portugal e Espanha, assenta “em princípios de precaução e sustentabilidade, que tem sido determinante para a recuperação do recurso. Este processo contou com o envolvimento de diferentes entidades ao longo da cadeia de valor – do setor da pesca à indústria e à distribuição -, cujo contributo foi essencial para a recertificação alcançada em 2025, resultado de uma década de cooperação científica e setorial, agora reconhecida por padrões internacionais de sustentabilidade.
Mais do que um produto, a sardinha é um símbolo cultural profundamente enraizado em Portugal, com particular expressão nas celebrações populares e na gastronomia nacional. O facto de este recurso ter estado em risco reforça a relevância do esforço coletivo que permitiu a sua recuperação.”
Fontes:
ANOPCERCO, em https://anopcerco.wordpress.com/2026/04/30/estreia-de-documentario-assinala-inicio-da-safra-de-sardinha-sustentavel/
MSC, em https://www.msc.org/pt/noticias-e-blog/comunicados-de-imprensa/estreia-de-documentario-assinala-inicio-da-safra-de-sardinha-sustentavel

