O uso do fogo controlado pode ser perigoso

Carta aberta ao Presidente e Governo da República Portuguesa

Trazemos no nosso site artigo sobre os usos dos fogo controlado para fins de agricultura e proteção florestal, que inclui também Carta Aberta aos principais órgãos de soberania nacional, já publicada parcialmente na Revista Marés, edição de dezembro 2017. O documento é da responsabilidade dos investigadores Zabelin S. I. e Natalia Novoselova * com tradução e revisão de Maria do Céu Baptista, e não implica o comprometimento da Mútua dos Pescadores com as posições tomadas sobre os incêndios que assolaram o país em junho e outubro. Compromete-nos sim com o esforço coletivo na procura de soluções para que estas tragédias não se repitam.

É necessário reflectir sobre práticas ancestrais e usos contemporâneos do fogo controlado, questionando essas práticas, financeiramente pouco dispendiosas em si mesmas, mas potenciais causadoras de catástrofes e perdas de vida humana e bens.

O Verão de 2017 deixou marca na natureza e na paisagem do centro do país. Fogos catastróficos deram origem a novas discussões, antigas, sobre gestão de florestas, desertificação, economias oportunistas e o des-uso daquele bem precioso. Em tempos de seca extrema e com a legislação que contempla o fogo controlado como ferramenta de trabalho activa é inevitável um alerta: a sociedade civil deve interessar-se por conhecer a legislação e trabalhar no sentido de  alternativas menos perigosas. Poucos tocam no “fogo” como elemento merecedor de atenção e discussão. A legislação/plano nacional envolvendo o chamado “fogo controlado” colhe aceitação, e é praticada internacionalmente, mas é em si, potencial causadora de danos tais como os incêndios, a alteração gravosa de fauna e flora e a exaustão de solos além de potenciar práticas pouco conscientes e descuidadas.

Esta Carta Aberta ao Presidente da República Portuguesa, Governo e Grupos Parlamentares ancora-se no caso português e no relatório independente sobre os fogos de Junho mas tem por trás investigação sobre idênticas catástrofes na Rússia, EUA e Brasil…

*
Natalia Novoselova
Coordenadora da Campanha Pública “Just stop grass burning!” (“Parem já de queimar as ervas!”), Universidade Estadual de Campinas, Brasil, email: antifirecamp@gmail.com

Zabelin S. I.
Presidente do Conselho da União Internacional Socioecológica (International Socio-Ecological Union), Russia.

Maria Baptista
Cidadã portuguesa. Ex Profissional de Museus e Património. Consultora independente e coordenação de projetos. Facilitadora de processos, Portugal.

CARTA ABERTA EM PDF
Góis, fotografia de Maria do Céu Baptista, novembro 2017

Góis, fotografia de Maria do Céu Baptista, novembro 2017

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