32.º Dia Internacional das Cooperativas da ONU
4 de julho
#Coopsday 2026: Construir a paz juntos: Como as cooperativas de todo o mundo estão a mostrar que a paz começa com as pessoas
O tema deste ano reflete não só a capacidade única do modelo cooperativo de unir as pessoas, reforçar a coesão social e promover sociedades pacíficas e inclusivas, mas também constituir um apelo coletivo do movimento cooperativo global para contribuir ativamente para a paz.
Assim define a Aliança Cooperativa Internacional o tema deste ano, que não podia ser mais oportuno, num mundo tão fragmentado e bélico.
Numa época em que a violência se instalou em muitos territórios, este é um apelo do movimento para construir um futuro de paz, já que ele coloca as pessoas em primeiro lugar, oferecendo uma forma comprovada e concreta de unir as pessoas e fomentar sociedades pacíficas e inclusivas através da solidariedade, da participação democrática, da confiança e da prosperidade partilhada.
As cooperativas são um farol neste contexto, “construtoras de pontes, unindo comunidades, promovendo o diálogo e reforçando a recuperação e a resiliência num mundo cada vez mais fragmentado”.
Na sua declaração por ocasião do #CoopsDay, o presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Ariel Guarco, destacou que mais de 120 conflitos armados estão atualmente a afetar milhões de pessoas em diferentes partes do nosso planeta, o que está a contribuir para empurrar milhões de civis para a pobreza.
«Mas, enquanto escolas de paz, as cooperativas promovem o diálogo, a transparência e o intercâmbio fraterno entre pessoas das mais diversas origens culturais, étnicas e geográficas. Por todas estas razões, acreditamos que a harmonia social, cultural e ambiental gerada pela economia cooperativa é um requisito indispensável para alcançar a paz positiva.»
Ariel Guarco, Presidente da ACI
As cooperativas e a Paz mundial
O papel das cooperativas na prossecução da Paz mundial que este ano tão oportunamente foi o tema eleito pela ACI, é sublinhado, pelo menos desde 2019, na Declaração da ACI sobre a Paz Positiva através das Cooperativas, que exorta o movimento cooperativo a aprofundar o seu compromisso e a reforçar as ações que promovam sociedades pacíficas e inclusivas.
O tema está em consonância com o tema da Conferência Global da ACI 2026, «Construir Pontes: Contribuições Cooperativas para um Mundo Pacífico», que se realizará no Panamá em setembro, procurando unir esforços para combater a fragmentação social, desigualdades crescentes, insegurança económica e declínio da confiança, nas pessoas, sociedades e suas instituições.
«As cooperativas são valiosos contribuintes para a paz e podem ter um impacto tangível antes, durante e após conflitos, crises e catástrofes naturais.
«Antes do conflito, por exemplo, constroem comunidades de confiança e bem-estar, que proporcionam uma base de resiliência que ajuda a mitigar potenciais hostilidades e a unir as sociedades. Durante o conflito, atuam como agentes de apoio, nomeadamente como fornecedores e distribuidores práticos de bens de primeira necessidade, tais como medição e alimentos. E após o conflito, são reconstruidoras de pessoas, locais e comunidades.»
Jeroen Douglas, Diretor-Geral da ACI
Não é possível dissociar também o tema dos Objetivos de desenvolvimento sustentável, (ODS) 16 (Paz, Justiça e Instituições Fortes), e em junho, a ACI e o Comité para a Promoção e o Avanço das Cooperativas (COPAC) publicaram um documento de orientação política que explora a forma como o modelo cooperativo pode ajudar a acelerar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16, que visa promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável. O documento faz parte de um projeto em curso entre a ACI e o COPAC que aborda a contribuição das cooperativas para todos os ODS. O documento destaca exemplos da Ucrânia, Ruanda, Argentina e Nepal, entre outros.
Cooperativas pela Paz – exemplos em todo o mundo
Em todo o mundo, as cooperativas estão a traduzir estes princípios em resultados tangíveis na construção da paz. Desde a reconciliação pós-conflito e o empoderamento das mulheres até à prevenção da violência de género e à proteção dos meios de subsistência em tempos de crise, as empresas cooperativas demonstram que a paz se constrói através de atos quotidianos de solidariedade, participação democrática e prosperidade partilhada.
Exemplos vêm do Ruanda, onde as cooperativas serviram de plataformas para a reconciliação, com organizações como a Cooperativa Koakaka a reunir agricultores de comunidades anteriormente divididas. E como, nas Américas, o Pacto Cooperativo pela Não-Violência de Género da Confederación Cooperativa de la República Argentina (COOPERAR, Argentina) une cooperativas da América Latina e das Caraíbas em torno de um compromisso comum para prevenir, combater e erradicar a violência de género nas suas organizações e comunidades.
Na Europa, por exemplo a invasão russa isolou a cooperativa leiteira Molochna Rika, na Ucrânia, mas as suas explorações agrícolas familiares, lideradas por mulheres, mantiveram a produção em funcionamento. No Nepal, a história de como um grupo de mulheres das minorias étnicas dalit, rana tharu e outras superou a discriminação ao organizar pequenas poupanças na Cooperativa Kalika, legalmente registada — que, desde então, restaurou uma estrada que dá acesso a uma escola, lançou um negócio de costura gerido por mulheres, triplicou a produção de arroz e apresentou, pela primeira vez, os direitos sobre a terra ao Estado.
A apenas quatro anos do prazo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o movimento cooperativo apela aos governos, às Nações Unidas e aos parceiros de desenvolvimento para que reforcem os quadros políticos e jurídicos favoráveis às cooperativas e as reconheçam como parceiros essenciais na implementação da Agenda 2030. À medida que as comunidades em todo o mundo enfrentam conflitos, desigualdades e desafios climáticos, as cooperativas continuam a demonstrar que a paz duradoura se constrói através da participação democrática, da prosperidade partilhada e da ação local.»
Ariel Guarco, Presidente da ACI
Sobre o Dia Internacional das Cooperativas
O Dia Internacional das Cooperativas tem vindo a ser celebrado a nível mundial pela Aliança Cooperativa Internacional Aliança desde 1923 e foi oficialmente reconhecida pelas Nações Unidas em 1995. Realiza-se todos os anos no primeiro sábado de julho, com o objetivo de sensibilizar para as contribuições das cooperativas para o desenvolvimento e a paz.
Empregam 10% da população mundial, proporcionando emprego digno e promovendo a justiça social, a democracia económica e a sustentabilidade ecológica.
Existem 3 milhões de empresas cooperativas no mundo – e só as 300 maiores têm um volume de negócios combinado de 2,8 biliões de dólares.

