31 de Maio
No Dia do Pescador, homenageamos o trabalho árduo dos pescadores e a sua valentia. Para dizer que merecem todo o respeito e consideração de um país à beira-mar plantado, que continua a voltar-lhes as costas, mesmo depois de os ter glorificado por trazerem o “pão” para a mesa em tempos de pandemia.
São sempre eles que estão na linha da frente. Mas à sua frente têm um mar de riscos, maior por vezes do que as tempestades: situações decadentes nos seus portos de pesca, que deveriam ser de abrigo; burocracia a bordo a substituir as preocupações maiores, com a pesca e a segurança da tripulação; o mar que é cada vez menos comum; o peixe que vale quase nada nas suas mãos; as remunerações incertas e a incerteza no futuro; os rostos cansados que afugentam os filhos e fazem temer as famílias… Mas no futuro incerto resiste também a vontade e resiliência que caracteriza o setor da pesca, desde que Raul Brandão, n’Os Pescadores (1923), prenunciava o fim de algumas pequenas comunidades piscatórias, por causa da vinda dos arrastos a vapor… cenários sempre sujeitos a mutações, de uma profissão que se exerce no coração da incerteza. À tona de água, nem sempre avistando a terra, sempre mar, e mais mar, balanço das ondas, do vento, da chuva.
O problema é que a umas ameaças, mais ou menos evidentes, têm-se seguido outras em catadupa. Só uma paixão sem tamanho faz com que muitos continuem a suportar aquilo que parece que se transformou num fardo deixado por herança para a maioria dos profissionais. O cenário não é fácil. As comunidades tradicionais encontram-se deprimidas e a braços com uma enormidade de obstáculos.
É nesta resiliência e amor pela pesca e pelo mar, que ainda reside a sua força transformadora, hajam mãos também ao seu lado, para ajudar a cuidar, perante todos os desafios que se colocam, a todo o momento!
Celebrar o Dia do Pescador é assim contribuir para a construção continua do seu futuro. É possível. Sabemos que sim. Basta que se dê centralidade política, económica e social a um setor absolutamente estratégico para o país. Que se tomem medidas. Qua as políticas públicas valorizem as profissões da pesca, do ponto de vista cultural, social e económico, e que se criem mecanismos que possam assegurar a sua continuidade, a sua prosperidade e o seu futuro.
A Mútua dos Pescadores fará, como tem feito ao longo da sua história, a parte que lhe cabe!

